POR DENTRO DA FBV

“Na venda, 20% é talento e o restante é relacionamento”, afirma Rick Chesther na Feira Brasileira do Varejo

A palestra do empreendedor encerrou o primeiro dia do Congresso Brasileiro do Varejo, que acontece durante a 7ª edição da FBV.

Relacionamento é a chave para vender qualquer produto. Foi o que ressaltou Rick Chesther em sua palestra sobre vendas na 7ª edição da Feira Brasileira do Varejo, que acontece até o dia 30 de maio, no Centro de Eventos da Fiergs. Durante uma hora, o empreendedor lembrou sua trajetória e falou sobre o ato de vender, bem como sobre a importância das relações entre vendedor e cliente.

Iniciou compartilhando sua história de vida. Quando tinha sete anos, sua mãe quase morreu em uma cirurgia. Nesse momento, o pai de Rick chamou ele e seus quatro irmãos para presenciarem os últimos momentos da mãe, segundo os médicos. “Ali meu pai me ensinou a importância de estar pronto para os obstáculos”, afirmou o empreendedor. Diferente do que afirmavam os especialistas, a mãe de Rick não morreu e ainda ensinou mais uma lição que ele levaria para o resto da vida. “Minha mãe me ensinou economia desde cedo. Sabe quando falam que manga com leite faz mal? É mentira. O real aprendizado dessa frase é que, se você comer os dois hoje, amanhã você não terá nenhum, nem outro”, lembrou.

Com essas lições e ainda com a frase do pai na cabeça – “para conquistar aquilo que você quer tenha foco” – Rick Chesther começou a plantar alface para vender na comunidade. O desejo? Comer carne. “Nem sabia que existia mais de uma carne diferente”, revelou. Em 1997 teve que optar por trabalhar e abandonou a escola. “Para a maioria dos brasileiros, abandonar a escola é fechar uma janela para o mundo. Mas, para mim, não. Eu larguei a escola, mas não deixei de ler. Lia tudo”, lembra o empreendedor. Quando se mudou para Magé, no Rio de Janeiro, pediu emprestado R$10 para a vizinha para abrir seu negócio. “Ela disse que ninguém abria um negócio com R$10. Mas eu fui lá, comprei fardos de água e fui vender na praia”, contou Rick, que disse que no primeiro dia vendeu três águas, mas no dia seguinte já estava vendendo o triplo.

O sucesso rápido na venda de águas na praia de Copacabana alertou os demais ambulantes, que ameaçaram Rick por ele vender seu produto por um preço menor. “Prometi que no dia seguinte eu venderia os mesmos oito fardos que havia vendido no dia anterior a R$5, mesmo preço dos demais. E vendi. Mas o pessoal voltou a me procurar para saber como eu tinha feito aquilo, já que ninguém nunca tinha vendido aquela quantidade por aquele preço”, explicou. A partir daí, observou como os demais ambulantes vendiam seus produtos e entendeu o motivo. “O pessoal sem camisa, de boné pra trás e correntão de prata não ia vender. Vendedor tem que passar credibilidade. Personalizei minha caixa de verde e rosa, já que sou integrante da Estação Primeira de Mangueira, fiz a barba e me arrumei. No dia seguinte todo mundo me olhava, porque eu era o único daquele jeito.”

A partir daí, Rick explicou que existem dois tipos de vendedores. “Existem aqueles que são e aqueles que estão vendedores. Os que estão vendedores estão sempre procurando dinheiro. Os que são, vendem independente do obstáculo.” O empreendedor ainda fez questão de ressaltar que relacionamento é chave para qualquer negócio. “20% é talento e o restante é relacionamento. A missão do vendedor é transformar um comprador em cliente. Se eu criar um relacionamento com o meu cliente, ele só vai comprar de mim. Vendedor trabalha para o cliente final, não para a marca” afirmou. Para exemplificar, lembrou que passava o seu contato para os clientes que queriam comprar dele. “Criei o call center na areia”, lembrou, arrancando risos da plateia.

Com sua trajetória de venda na praia já consolidada, gravou o vídeo que viralizou nas rede sociais. “Postei o vídeo e fui dormir. Tinha 80 seguidores e acordei com 800.” No mesmo dia, Flávio Augusto, do Blog Geração de Valor, compartilhou o vídeo e pediu aos seguidores para ajudá-lo a fazer contato com Rick Chesther. Os dois se encontraram, conversaram e fizeram diversos trabalhos juntos. Desde então, Rick já lançou três livros, sendo o último, o “Pega a Visão”, um dos mais vendidos. Fez palestras pelo Brasil e pelo mundo e é o rosto de marcas como Santander e Casas Bahia.

Segundo Rick, o brasileiro tem o grande defeito do “jeitinho brasileiro”. “Nenhum dos setores precisa melhorar mais do que a mentalidade do povo brasileiro. As pessoas estão naufragando nas redes ao invés de navegar. Tudo que o ser humano precisa para dar certo está dentro dele e tudo o que precisa para dar errado também. Só depende dele escolher o caminho”, disse. “Não sou movido por vitórias, mas por lutas. As coisas não podem ser fáceis. Se é fácil qualquer um faz. E eu não sou qualquer um. Não precisa ser fácil. O que não pode é ser impossível.”

Por fim, mostrou o vídeo que o projetou e deixou um recado: “No meio do caminho até pode ter uma pedra, mas você não pode ser essa pedra.”

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