72 horas de varejo

Palestras lotadas, expositores com as mais diversas soluções e recorde de público foram as marcas da FBV 2017

A 5ª edição da FBV e do Congresso Brasileiro do Varejo bateram recorde de público este ano, atraindo 6,8 mil visitantes, entre lojistas, empresários, fornecedores, equipes de vendas e demais interessados. A equipe da revista Conexão Varejo, do Sindilojas Porto Alegre, participou durante os três dias trazendo na edição de agosto a cobertura completa das atrações dos três dias de encontro. Confira a reportagem da publicação deste mês e boa leitura!

Com mais de 50 estandes, a Feira reuniu, entre os dias 12 e 14 de julho, soluções em tecnologia, gestão, estoque, PDV, levando à prospecção de negócios que deverão movimentar R$ 4 milhões decorrentes de contatos durante os três dias. O evento ainda contou com atividades paralelas, como o Desafio Fashion, uma competição de moda promovida pelo curso de Design de Moda da ESPM-SUL, e o Varejo Now,uma maratona de programação que propôs a criação, durante a Feira, de soluções para o varejo, realizada pela Unitec, Tecnosinos, Sebrae-RS e Sindilojas Porto Alegre, premiando três equipes ao final.

Outra grande atração foi a Trend Store, que teve mais 1,2 mil visitantes. Tratava-se de uma loja-conceito ambientada pela Lojas Lebes no corredor do BarraShoppingSul, reunindo tecnologias para que as pessoas pudessem experimentar os benefícios de cada ferramenta na prática. Já o Congresso Brasileiro do Varejo recebeu mais de 60 palestrantes e painelistas, dentre eles, representantes de grandes empresas como C&A, Marisa, Usaflex, Livraria Cultura, Reclame AQUI e Endeavor Brasil. Confira alguns destaques e acompanhe as redes sociais para ficar por dentro das novidades.

Inovação além dos padrões

Um dos nomes mais esperados pelos congressistas foi o de Wesley Barbosa, global partner manager do Facebook no Vale do Silício, que lotou o auditório com a proposta de que é possível, sim, inovar pensando dentro da caixa. Para ele, a necessidade é a mãe da inovação, mas é preciso reduzir o medo de falhar para estimular novas ideias. “Essa inovação que se busca depende de encorajar a falha e dar autonomia para que as pessoas tentem coisas novas”, destacou. Um exemplo foi o app Ignore No More, criado por uma mãe de adolescente, que bloqueia o uso do celular caso uma ligação de um número vinculado (da mãe, no caso) não seja atendida.

Pensar dentro da caixa, segundo Wesley, tem a ver com lidar com ferramentas existentes para chegar a um objetivo, como as cinco templates da inovação, que servem de base para o processo criativo: subtração, divisão, multiplicação, unificação de tarefas e dependência de atributos. “A subtração, por exemplo, deu origem ao iPod, que é um iPhone sem a função de ligar. Já o controle remoto surgiu da divisão, quando essa função, que era feita somente no equipamento, foi dividida e passou a ser realizada de outro dispositivo: o controle”, explicou.

“Não adianta levar a equipe para um offsite em um resort, para estimular a criatividade, é preciso dar conhecimento, pois não há inovação sem conhecimento.”

Outra palestra que tratou de inovação foi a de Murilo Gun, comediante e professor de criatividade. Segundo ele, a criatividade serve de solução para problemas diversos, mas essa capacidade é resultado de uma combinação de experiências pessoais e, para ele, o termo correto seria “combinatividade”. “Se você tem as mesmas vivências de todo mundo, matematicamente diminui a chance de ser criativo”, analisa. Como conselho,

Murilo recomendou mudar pequenos hábitos, como fazer um caminho diferente para ir ao trabalho, ler uma revista que não leria, comer um alimento que nunca comeu, pois isso reprograma o cérebro e estimula as novas ideias.

O futuro do varejo

A uberização do mundo – caracterizada por um tipo de relação sem atritos e baseada na tecnologia – também foi pauta. Sérgio Herz, CEO da Livraria Cultura, ressaltou o papel do digital, que não poupa nem mesmo os negócios já consolidados, como as livrarias. Para Sérgio, a forma como as pessoas compram e são influenciadas a comprar está mudando e a tecnologia é um dos principais responsáveis, por isso, quem for contra esse movimento, proporcionando transações com atrito, estará atrapalhando o fluxo de vida do cliente.

Apesar dos desafios, atender esse consumidor exigente fica mais fácil quando as lojas compreendem o protagonismo da experiência e que o espaço físico deve ter a função de engajar, e não somente vender. “Quem oferecer commodities estará fora do mercado em breve. A última coisa com que as lojas físicas devem se preocupar hoje é vender. Esqueça as transações, tudo é relacionamento. A experiência deve ser o coração do negócio”, disse.

 

Para Alberto Serrentino, consultor com mais de 30 anos de experiência em varejo, e Denis Pizzato, diretor executivo de Supply Chain do Grupo Dimed, a transformação causada pelo digital deve ser assunto estratégico para as empresas, porém não se trata de comprar ferramentas, e sim de saber usá-las.

“A cultura da empresa precisa mudar antes dos processos, e essa mudança tem começo, mas não tem fim”, ressaltou Serrentino. Já Pizzato comparou a transformação digital com o sapo que é colocado na água fria e é cozido sem nem perceber, ou seja, a mudança pode não ser percebida, mas, se nada for feito, pode levar a consequências trágicas. Segundo ele, os clientes não procuram um produto, mas uma solução, e usar a tecnologia para proporcionar isso faz parte dessa transformação.

                                      “A tecnologia fará com que as                               pessoas não vão às lojas porque precisam comprar, mas porque querem.” 

O papel da internet

Se para alguns a internet é um desafio a ser conquistado, para outros é a mola que impulsiona os negócios, como os clubes de assinatura. Representantes da Petitebox, que trabalha com produtos para gestantes e bebês, da Tag Experiências Literárias, com assinatura de livros, e do Clube do Zero, para pessoas com restrições alimentares, falaram sobre o assunto, destacando que oferecer uma experiência exclusiva e surpreender o cliente são premissas para se ter sucesso nesse mercado. “Normalmente as pessoas gostam da novidade, tornam-se assinantes, mas já no terceiro recebimento podem desistir. É muito importante fidelizá-las”, disse Adriane Laste, sócia do Clube do Zero. Tomás Susin, cocriador da Tag, aposta em entregar mais do que produtos, mas um serviço completo relacionado à leitura. Considerando a comodidade, a praticidade e o conforto como alguns dos principais atrativos dos clubes, fica claro como o avanço da tecnologia influencia as necessidades e os gostos dos consumidores.

“Os negócios de nicho são o futuro do varejo online, pois evitam confronto com as gigantes e se beneficiam pela formação de comunidades com interesses em comum.”

Outras empresas impulsionadas pela internet foram a 33/34, que vende sapatos femininos dessa numeração, e a Dress&Go, que aluga vestidos de festa de estilistas. Ambas surgiram de necessidades das próprias fundadoras e apostam no mercado de nicho para se diferenciar. Para Tania Gomes, fundadora da 33/34, os negócios de nicho são o futuro do varejo online, já que evitam confronto direto com as gigantes e se beneficiam pela formação de comunidades com interesses em comum. Apesar de ter nascido na internet, a 33/34 abriu em 2016 uma loja física e este ano vai inaugurar mais uma para reforçar a marca e ampliar a credibilidade, já que as vendas online representam 90% do negócio. Já a Dress&Go surgiu no mundo offline, mas logo apostou na internet e hoje 40% da receita total vem do e-commerce. Para Barbara Almeida, cofundadora da marca, a força do negócio está na curadoria e no investimento em tecnologia, que garante suporte para uma operação eficiente.

Significado do trabalho e liderança

“Trabalho e amor são os pilares da humanidade.” Alexandre Pellaes, pesquisador do mundo do trabalho, fundador da consultoria Exboss e sócio da startup 99jobs, lembrou a frase de Sigmund Freud na palestra “Você precisa dar um novo significado para o trabalho”. Segundo ele, o ambiente corporativo está cada vez mais complexo e, por isso, precisa ser ainda mais humano. “Enchemos a boca para falar de responsabilidade social, mas esquecemos de olhar com bondade o colega do lado”, afirmou. A saída, para ele, é criar significado, pois essa é a única maneira de conectar as pessoas ao trabalho, do contrário, será só mais uma experiência qualquer na jornada profissional.

Relacionada a isso está a questão da liderança, discutida por Jayme Garfinkel, presidente da Porto Seguro, Liana Gus Gomes, presidente da Associação Brasileira de Coaching Executivo, e Otelmo Drebes, presidente das Lojas Lebes. Para Liana, o desafio das empresas é desenvolver a liderança e não o líder, que não deve ser visto como “salvador da pátria”, mas como alguém que estimula o que cada um tem de melhor para o grupo.

                                      “Para liderar é preciso parar                  de terceirizar a culpa. É necessário estar presente e liderar  em equipe, e não a equipe.”

 

A história de Jayme, que passou a liderar a Porto Seguro com o falecimento do pai, mostrou bem isso. “Segui do meu jeito, sem o estilo ‘durão’ e sempre apostei no exemplo. Às vezes, me questionei sobre que marca eu deixaria na empresa que era o sonho do meu pai, até que compreendi que minha habilidade, desde a infância, era agarrar um projeto e organizar tudo para que ele ocorresse, como fazia nos jogos de futebol da minha rua”, relembrou, mostrando que a liderança pode ser exercida de diversas formas.

Já Otelmo Drebes acredita que liderança não é um cargo, mas uma atitude. “Um dos grandes desejos dos líderes atuais é que suas habilidades sejam usadas em favor do trabalho, assim como que o trabalho gere felicidade, equilibre a vida pessoal e mantenha um desenvolvimento constante”, ressaltou.

Varejo mutante

Dois representantes das maiores varejistas de moda foram unânimes em suas palestras: a tecnologia já transformou e seguirá transformando a moda e a forma como as pessoas compram. Para Paulo Correa, presidente da C&A Brasil, vivemos um tempo de mudanças profundas e rápidas, e o mais importante é desenvolver a capacidade de se reinventar constantemente, porque essa transformação não vai se estabilizar. “O que antes levava um ano para mudar, hoje leva poucos dias, por isso ter caixinhas fixas na moda é coisa antiga”, comentou. Entender as implicações que a velocidade causa é um desafio necessário, sendo que uma delas, para Paulo, é que hoje os consumidores querem produtos com mais qualidade e menor preço, mas ganhar o jogo do varejo com base na promoção não faz sentido, pois é um argumento fácil de ser contraposto.

“O mundo muda muito rápido e esse é o desafio das marcas, de acompanhar essa mudança na sociedade e responder com sucesso a ela”, chamou atenção Thiago Pereira, gerente-geral de e-commerce das Lojas Marisa. Segundo ele, apesar de rápidas, muitas mudanças atuais já foram anunciadas faz tempo, como em 2012, quando já diziam que o futuro do comércio se chamava smartphone. “É preciso estar atento e conhecer bem o seu público”, alertou.

Mesmo vendendo pela internet desde 1999, com a primeira loja virtual de moda do País, ele sabe que isso não representa uma vantagem competitiva. Por isso, a Marisa se direciona bem para o seu grande público, composto majoritariamente pela classe C, mas mantém algumas categorias, como a lingerie, inclusive para atingir perfis diferentes do seu target. Para Thiago, ainda há muito a ser feito pelo varejo, pois nem mesmo as iniciativas fáceis são adotadas pelas lojas, como o compartilhamento do Wi-Fi, que segundo estudos aumenta fidelização na loja física em 28%.

Superação e sucesso nos negócios

Ter a postura de empreendedor para de fato empreender. Essa é a chave do sucesso para Ricardo Jordão, fundador do BizRevolution e criador do evento Epicentro, na palestra “Como quebrei três empresas e continuo vivo”. Apesar de parecer trágico, o título, para ele, revela um segredo para se dar bem no mundo dos negócios: é aceitável quebrar, mas não morrer. “Dinheiro não cria empresas, alavanca empresas”, disse, destacando que esse foi um dos aprendizados que teve com a experiência das três empresas que quebrou.

Além disso, ele elencou os principais erros que, na sua opinião, levam ao fim dos empreendimentos: começar grande, crescer devagar e pensar pequeno, ou grande demais. Fazendo uso de várias piadas sobre as próprias decisões, Ricardo tentou (e conseguiu) desconstruir a ideia de que falhar é errado, mostrando que errar faz parte do processo e pode trazer grandes lições que ajudarão nos empreendimentos futuros.

Do lado oposto, foram apresentados os cases de sucesso das empresas Dullius, Usaflex e 4All. Claudir Dullius contou a história da Dullius, que começou com uma pequena lojinha em Cruzeiro do Sul e hoje possui 21 unidades em 13 cidades do Rio Grande do Sul, incluindo franquias da Colcci no interior do Estado. Mesmo atingindo o tamanho atual, a Dullius mantém a característica de estar próxima das pessoas, tanto dos colaboradores como dos clientes. Para José Renato Hopf, fundador e CEO da 4All, que trabalha com serviços em tecnologia para melhorar empresas, o segredo dos grandes é esse: agir como pequeno negócio, mantendo a proximidade com o público.

 

Franquias e economia em pauta

Inovar é possível até nas situações mais inesperadas. Foi com essa ideia que Luiz Artur Nogueira, jornalista, economista e editor da revista IstoÉ Dinheiro, comandou sua palestra sobre economia. Logo de cara, o jornalista propôs que o público escolhesse na hora sobre quais assuntos deveriam ser tratados, iniciando pela China e passando até a operação Lava Jato, que está sendo benéfica do ponto de vista ético, mas é uma catástrofe para a economia do País, que vive atualmente uma soma das crises fiscal, política e de confiança.

Para ele, o momento é de olhar para si. “Foque na sua empresa, elimine custos e qualifique a sua mão de obra. E lembre-se: não há crise para ideias inovadoras”, afirmou.

Sem falar em economia, mas também preocupados com a confiança do consumidor, estavam Raquel Pirola, diretora de Marketing das Óticas Carol, Mauro Nomura, fundador do grupo Nomura, franqueado da Arezzo, Schutz, Adidas, L’occitane e Saltô, Junior Cabreira, sócio-fundador da MakeUp Automotiva, e Altino Cristofoletti, presidente da Associação Brasileira de Franchising e fundador da Casa do Construtor, no painel sobre franquias.

Para Altino, esse modelo trata-se de um sonho coletivo com papéis bem definidos e é a junção de diversas competências que torna esse relacionamento virtuoso.

Segundo Raquel, a Carol se entende como uma rede de relacionamentos e atribui a isso o crescimento exponencial que vem tendo nos últimos nove anos de norte a sul do País. Prova é que 65% das novas aberturas em 2016 foram da mesma base, de quem já possuía franquia e abriu nova unidade. Para Mauro, franqueado há 19 anos e detentor

de 24 lojas, é preciso saber que é um modelo cheio de padrões e que nunca vai se concordar em tudo, mas a dica é focar nos pontos em comum e apostar no desapego. Já Junior contou a história da MakeUp e como a profissionalização levou à abertura de franquias.

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